Pressão governamental isola cristãos em todo o mundo
Publicado em 14 Jan 2026

A pressão e a violência são uma realidade para mais de 388 milhões de cristãos em todo o mundo. Apesar de o número de ataques a igrejas e propriedades cristãs ter diminuído de 7.679 para 3.632 na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026, a pressão sobre as igrejas continua elevada, sendo muitas forçadas a funcionar na clandestinidade devido à vigilância e à forte regulamentação.
A Igreja no Norte de África
Na Argélia, todas as igrejas protestantes foram encerradas, obrigando os cristãos ao isolamento. Mais de 75% dos cristãos argelinos perderam o seu espaço de comunhão, sendo forçados a reunir-se secretamente em casas, sob risco de prisão.
Como já não existem igrejas protestantes para serem invadidas e fechadas, as autoridades passaram a vigiar as atividades online, encerrando grupos nas redes sociais com milhares de seguidores.
A oeste da Argélia, na Mauritânia, e a leste, na Tunísia, dinâmicas semelhantes estão em curso, embora em menor escala. O governo mauritano opõe-se firmemente à evangelização, e a hostilidade contra cristãos de origem muçulmana é intensa. Abandonar o islão é punível com a morte e, embora a pena seja maioritariamente simbólica, exerce um forte efeito dissuasor. A pressão sobre a vida dos convertidos tem aumentado, forçando a Igreja a agir com extrema cautela.
Desde 2021, a Tunísia é governada de forma autoritária, e os serviços de segurança intensificaram a vigilância sobre os cristãos tunisinos. Vários cristãos estrangeiros foram presos e tiveram as suas casas revistadas. As autoridades reforçaram a campanha contra migrantes cristãos subsaarianos sem documentos, sob o pretexto de combater o tráfico humano.
Diversas atividades de igrejas compostas por tunisinos e subsaarianos foram invadidas e encerradas permanentemente. O receio de exposição deixou muitos cristãos de origem muçulmana a lutar contra o isolamento e com apoio comunitário limitado.
O isolamento dos cristãos na China
O isolamento cristão também se verifica na China. Em setembro de 2025, o governo publicou as “Regulamentações sobre o Comportamento Online do Clero Religioso”, uma lista de 18 regras que, entre outras exigências, obriga os líderes religiosos a apoiar o Partido Comunista Chinês, “orientar as religiões para se adaptarem à sociedade socialista” e pregar apenas em sites licenciados.
As regras também proíbem alcançar os jovens, usar “temas e conteúdos religiosos para atrair atenção” ou falar sobre cura. A recolha de ofertas, transmissões em direto nas redes sociais, aplicações da Bíblia ou distribuição de publicações religiosas não são permitidas no país.
Sob pressão, igrejas domésticas independentes — que antes se reuniam em grandes encontros em espaços comerciais — fragmentaram-se em pequenos grupos de 10 a 20 pessoas, reunindo-se secretamente com liderança pastoral mínima. Pastores de igrejas não registadas enfrentam cada vez mais acusações de crimes económicos e fraude por recolher ofertas, ou de “provocar desordem e causar problemas”.
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